A revista Bravo! costuma lançar revistas especiais com base em listas de livros, filmes e discos essenciais. Todas elas, porém, sempre dividem espaço com uma série de outras listas semelhantes que já circulam pela internet, sobretudo porque são abrangentes demais. Na edição especial de junho, 100 Canções Essenciais da Música Popular Brasileira, a revista acerta ao fazer um ranking mais delimitado. Não são as 100 melhores músicas do mundo, nem as 100 melhores do Brasil. A revista selecionou um cancioneiro interessante para quem quer entender a história da MPB.
A edição é caprichada, tem apenas uma página dupla de propaganda logo no começo (não é à toa que a revista custa R$14,95) e, embora falte um ensaio exclusivo, escrito por algum convidado de peso, há um ótimo trabalho de pesquisa e apuração para falar sobre cada uma das 100 canções escolhidas. Veja a lista:
1 – “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro
O curioso é que ela nasceu apenas instrumental, em 1917, pelo gênio de Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha (1897-1973); a letra, de João de Barro (1907-2006), só foi acrescentada quase 20 anos depois, em 1936. “A maioria dos cantores não estava interessada em gravar Carinhoso. Todos preferiam a velha Rosa. Primeiro foi chamado Francisco Alves, que não se interessou. O Carlos Galhardo também falhou e não compareceu na data marcada para a gravação. Até que veio o Orlando [Silva] e gravou Carinhoso e Rosa”, conta Pixinguinha. A descrença na canção era tanta que foi feita, na época, uma segunda letra para Carinhoso. “Na mansidão do teu olhar/ Meu coração viu passear/ Uma feliz e meiga bonança”.
2 – “Águas de março”, de Tom Jobim
Alguns críticos identificam na canção de Tom Jobim um plágio de “água do Céu”, gravada, em 1956, no disco Cinco Estrelas Apresentam Inara, da compositora Inara. (…) Tanto a letra (”É chuva de Deus, é chuva abençoada/ É água divina, é alma lavada”) quanto a melodia de “Água do Céu”, argumentam seus detratores, seriam muito parecidas com as de “Águas de Março”.
Em entrevista à Folha, o pesquisador José Ramos Tinhorão afirmou que a versão de Inara, por sua vez, já era adaptação de um ponto de macumba que diz “É pau, é pedra, é seixo miúdo/ Roda baiana por cima de tudo”. Outro crítico, Luís Antônio Giron, concordou, dizendo: “(Águas de Março) é macaqueada do folclore. Villa-Lobos se apropriava de temas folclóricos, mas citava a fonte”.
3 – “João Valentão”, de Dorival Caymmi
“João Valentão” é o exemplo mais célebre do “ritmo Dorival Caymmi”. Iniciada em 1936, em uma temporada na praia de Itapuã, só seria terminada nove anos depois. Antes de chegar ao Rio, Caymmi já tinha em mente a cena inicial, em que o pescador arredio é caracterizado. Depois, continuou a composição até o ponto em que João deita na praia. E, então, parou.
4 – “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
5 – “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso
6 – “Tropicália”, de Caetano Veloso
7 – “Último desejo”, de Noel Rosa
8 – “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
9 – “Construção”, de Chico Buarque
10 – “Detalhes”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos
11 – “As Rosas Não Falam”, de Cartola
12 – “Samba do Avião”, de Tom Jobim
13 – “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues
14 – “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
15 – “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso
16 – “Desafinado”, de Tom Jobim
17 – “A Mesma Rosa Amarela”, de Capiba e Carlos Pena Filho
18 – “Ai, Que Saudade da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago
19 – “A Flor e o Espinho”, de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha
20 – “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil
21 – “Eu Te Amo”, de Chico Buarque e Tom Jobim
22 – “Feitio de Oração”, de Noel Rosa e Vadico
23 – “Retrato em Branco e Preto”, de Tom Jobim e Chico Buarque
24 – “O Mundo é um Moinho”, de Cartola
25 – “E o Mundo não se Acabou”, de Assis Valente
26 – “A Volta do Boêmio”, de Adelino Moreira
27 – “Diz Que Fui Por Aí”, de Zé Ketti e Hortêncio Rocha
28 – “Leve”, de Carlinhos Vergueiro e Chico Buarque
29 – “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa
30 – “Baby”, de Caetano Veloso
31 – “Eu Sei Que Vou Te Amar”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
32 – “Marina”, de Dorival Caymmi
33 – “Rosa”, de Pixinguinha e Otávio Souza
34 – “A Banda”, de Chico Buarque
35 – “Feitiço da Vila”, de Noel Rosa e Vadico
36 – “Panis et Circensis”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil
37 – “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc
38 – “Exagerado”, de Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni
39 – “Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida”, de Paulinho da Viola
40 – “Iracema”, de Adoniran Barbosa
41 – “Nervos de Aço”, de Lupicínio Rodrigues
42 – “Luiza”, de Tom Jobim
43 – “Ronda”, de Paulo Vanzolini
44 – “Assum Preto”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
45 – “Acabou Chorare”, de Moraes Moreira e Galvão
46 – “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá”, de João Bosco e Aldir Blanc
47 – “Sinal Fechado”, de Paulinho da Viola
48 – “Folhetim”, de Chico Buarque
49 – “Insensatez”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
50 – “Ouro de Tolo”, de Raul Seixas
Vale a ideia porem, melhor seria, 100 compositores importantes na MPB, do quer quepetir musicas de mesmos autores.
Djavan entrou? Dolores Duran? e outros
Maestro Eduardo Carvalho
Sou da cidade de Americana, rodei todas as bancas de jornal e não consegui a revista 100 canções MPB. Eles falaram que não receberam essa edição. Algém pode me ajudar?
É uma linda revista !!
Alguém sabe se tem como adquirir a revista ainda??
Não consegui encontrar esta revista. Alguém sabe como conseguir?
É Luis, essa edição tá ótima. Beijos
Preciso adquirir um exemplar. Como fazê-lo?
gostaria de saber como consigo comprar o mumero 100 da Revista Bravo.
Obrigado
Bruno
Não gostei, a lista exclui demais!!!