O aumento dos preços do petróleo tornou-se insustentável. Depois de terem sido ignorados nesses últimos cinco anos, os preços atingem agora recordes que fazem o mundo se recolher em dor – a The Economist dessa semana traz na capa uma única palavra, “Recoil”, e o pico de US$ 135 o barril.
Em editorial, a revista alerta que os bodes expiatórios em quem recai a culpa pela elevação dos preços – os especuladores do mercado de commodities, as companhias produtoras de petróleo – não são os verdadeiros culpados. O problema é muito mais simples, e está numa relação básica dos livros-texto de economia: a relação entre oferta e demanda.
Quem acaba causando essa alta são os ofertantes, que têm dificuldade de atender à elevada demanda. Uma das razões é que encontrar e desenvolver novos campos de petróleo é uma tarefa árdua, e o país citado como exemplo é o Brasil, cujos gigantescos campos de petróleo só serão viáveis daqui a pelo menos 10 anos. Outro fator é a política de países com abundância em petróleo, como a Venezuela e a Rússia: quando o preço do petróleo está em queda, esses países acenam às grandes empresas com boas-vindas; quando o petróleo está mais caro, dão um jeito de repatriar os campos de petróleo, sobretarifar a exploração desses recursos.
Trinta e cinco anos depois [dos choques do petróleo dos anos 70], os preços do petróleo quadruplicaram novamente, atingindo brevemente um pico de pouco mais de US$ 135 o barril. Mas, até agora, o que acontece é um choque do petróleo em câmera lenta. Se os árabes puderam usar o petróleo como arma nos anos 70, desta vez a estagnação da produção petrolífera e a crescente demanda dos mercados emergentes têm espremido o mercado do petróleo. Há quase cinco anos, um mundo em crescimento minimizou a alta dos preços. Só agora é que se recolhe em dor.

O correspondente da Veja em Paris, Antonio Ribeiro, escreve em seu blog que o mundo vive o terceiro choque do petróleo. Na mesma onda da Economist, ele prefere acreditar que a alta decorre da dificuldade da oferta em atender à demanda, e não dos especuladores.
Interessante notar que quanto mais avançado é o uso de energias alternativas em um país europeu, menor foi a alta do petróleo. É o caso da Alemanha que produz metade do biodiesel do mundo. Mas para alguns o cultivo agrícola para produzir biocarburantes é responsável pelo encarecimento dos alimentos básicos. Uma falácia. Veja abaixo quanto da produção mundial de três produtos foi desviada para produzir etanol:
Trigo: 0,6%
Milho: 10%
Cana-de-açúcar e beterraba: 20%