Gabeira entre a conversa e o discurso
15/05/2008 de Luiz Felipe Fustaino

O perfil de Fernando Gabeira escrito por Ricardo Franca Cruz, editor-chefe da Rolling Stone Brasil, consegue captar um aspecto interessante da personalidade do deputado: Gabeira é um cara de quem sempre se esperam grandes respostas, e ele tem uma dificuldade tremenda em se expressar quando lhe são feitas perguntas que parecem exigir dele algum discurso, alguma resposta mais demorada.
Há os registros das conversas despretensiosas entre o jornalista e o deputado e há também os momentos em que o jornalista faz o papel de repórter, com bloquinho e gravador na mão, e o deputado precisa, aí, pensar para falar. Gabeira se enrola, se confunde, tosse - e todas as marcas e os trejeitos ao falar são registrados por Ricardo Franca Cruz. O deputado deixa, nesses momentos, transparecer um traço de seu caráter: parece ter medo de ser mal compreendido.
Ao misturar as conversas e os discursos, Ricardo Franca Cruz retrata Fernando Gabeira como sendo uma pessoa que não tem respostas prontas para tudo. Mesmo que seja isso o que muitos esperam dele.
“Os setores… digamos assim, mais instruídos do Brasil… me vêem como uma reserva, do ponto de vista político e do ponto de vista até estratégico, em termos de ter me preparado para… entender o país… de ter me preparado… para colocar o país no mundo… não é?… e o mundo no país [tosse]. Outros me vêem como um político… é… de vanguarda, entende? Outros me vêem como um político… é… que tem posições… condenáveis. Liberais demais… ultraliberais”, afirma, calma e pausadamente, com a voz embargada por uma gripe, entre um gole e outro de chá preto não adoçado, o deputado federal pelo PV e agora pré-candidato pela Frente Carioca (PV, PSDB e PPS) à prefeitura do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira. É sábado à tarde na cidade que o mineiro de Juiz de Fora escolheu como sua desde 1963, em seu gabinete no Jardim Botânico. “Porra, tá quente aqui, não?”, diz tirando o paletó cinza risca de giz, desabotoando e dobrando as mangas da camisa de seda preta.
[...] nenhuma entrevista repercutiu tanto quanto a do principal intérprete brasileiro. A capa foi de Fernando Gabeira, mas a entrevista com Ney é muito mais [...]