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Os dois principais roteiros culturais da cidade de São Paulo deram o mesmo título na capa. O Guia da Folha acompanhou o jornal de hoje. A Vejinha vem com a sua revista-mãe a partir de amanhã. As duas destacam os eventos comemorativos dos 50 anos da Bossa Nova, ambas com o título “Chega de saudade”, que traduz com perfeição o momento que a Bossa Nova vive hoje: quem tinha saudades dela, está podendo matá-la (e como!) agora. Além disso, o álbum de João Gilberto que inspirou os títulos é um dos marcos do início da Bossa.

A lendária revista MAD voltou a ser editada no Brasil em abril e chega, agora no início de julho, à quarta edição. Um dos editores da revista, Raphael Fernandes, promove na quarta-feira (02/07) uma festa dedicada aos fãs da revista, a Neuman’s Cocktail Party – Alfred Neuman é o garotinho que simboliza a MAD desde suas primeiras edições, nos Estados Unidos dos anos 50.

Durante a festa, que acontece no Astronete Bar, em São Paulo, serão sorteados vários brindes da MAD. O Astronete Bar fica na Rua Matias Aires 183, entre as ruas Augusta e Haddock Lobo. A entrada é gratuita.

Dois novos títulos que chegam às bancas no mês de julho comprovam uma tendência não só do mercado de revistas, mas também do consumo de informações: a cultura de massa está dando espaço para a cultura do nicho. A Jet Magazine e a Living Alone são revistas que se destinam a um público dirigido, são revistas personalizadas.

 

Jet Magazine
Uma revista que trata do setor aéreo, mas pelo ponto de vista dos viajantes. Com essa proposta, a Jet Magazine quer atrair nas bancas, e não a bordo, o público que viaja de avião. Além da Jet, a RMC Editora também edita a Revista da Varig.

Mensal, a edição será bilíngüe (português-inglês), com tiragem de 50 mil exemplares – 30 mil para bancas e 20 mil para um mailing especial - e custará 10 reais. Para conhecer a revista por dentro, basta entrar no site da revista e dar uma folheada virtual.

Embora Roberto Muylaert, proprietário da RMC Editora, espere que os jornaleiros exponham a Jet Magazine junto com as publicações de turismo, e não com as revistas técnicas de aviação, a revista Aero Magazine já se preveniu: lança também em julho seu novo projeto gráfico, bem mais sofisticado do que o anterior.

 

Living Alone
Feita para pessoas que moram sozinhas, a Living Alone não quer ser uma revista de decoração. “Nem de comportamento. Menos ainda de mero consumo. Living Alone tem uma proposta ambiciosa: incrementar a qualidade de vida. Proporcionar o melhor do home & lifestyle. Daí uma fórmula editorial diferenciada.” A publicação bimestral estréia com tiragem inicial de 20 mil exemplares, sendo 15 mil destinados a moradores de apartamentos do tipo loft, studio ou duplex de bairros nobres da cidade de São Paulo.

A empreitada é da Custom Editora, criada recentemente por Fernando Paixa e André Cheron, também responsáveis pela revista MIT, uma customizada da Mitsubishi brasileira.

A Revista da Semana já foi tema de três textos aqui em Já nas Bancas - clique aqui para recapitular o que foi escrito sobre a revista no blog. Hoje, eu e mais três colegas do curso de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero apresentamos um estudo de caso sobre as dificuldades que a revista enfrenta para se firmar nas bancas. Veja a apresentação em Powerpoint, que contém dados sobre o mercado de revistas e muitas informações sobre o desempenho da Revista da Semana.

Uma curiosidade: a revista foi lançada com tiragem de 140 mil exemplares e se manteve assim por um longo tempo. Depois, teve a tiragem reduzida para 90 mil exemplares. Desses 90 mil, apenas 40 mil são vendidos (a maior parte em assinaturas, já que é oferecido um desconto de 50% sobre o preço da revista). Há mais revistas que encalham do que revistas que são vendidas.

[Para baixar a apresentação em Powerpoint, clique aqui com o botão direito do mouse e escolha a opção "Salvar destino como..."]

A The New Yorker dessa semana traz uma extensa reportagem sobre Hugo Chavez, “o herdeiro de Fidel”, assinada pelo jornalista Jon Lee Anderson. Um trabalho de ourives: em entrevista concedida à revista colombiana Cambio em janeiro desse ano, Anderson estava escrevendo a reportagem que só chegou aos leitores agora, em meados de junho.

Anderson é um dos principais colaboradores da revista, em que escreve sobre política e conflitos internacionais. Além disso, é o autor de “Che Guevara: uma vida em vermelho”, biografia do líder revolucionário editada no Brasil pela Companhia das Letras.

É a primeira reportagem sobre a América Latina escrita por Anderson desde a troca de acusações entre ele e Diogo Schelp, editor de internacional da revista Veja, iniciada após a semanal brasileira estampar na capa a matéria “Che - A farsa do herói”.

A revista Veja com Che na capa apareceu nas bancas em 29 de setembro de 2007. No dia 23 de outubro, Jon Lee Anderson enviou um e-mail à redação de Veja e a outros jornalistas brasileiros, entre eles Pedro Dória, de O Estado de S. Paulo, que tornou a carta pública em seu blog: Continuar Lendo »

A editora Abril foi condenada ao pagamento de R$ 21.282 porque a Veja São Paulo, a Vejinha, publicou uma entrevista com a provável candidata do PT à prefeitura de São Paulo Marta Suplicy. O juiz Francisco Carlos Shintate caracterizou a entrevista como sendo propaganda eleitoral antecipada.

Na semana em que publicou a entrevista com Marta, a Vejinha anunciou que se tratava da primeira de uma série de três entrevistas com os principais candidatos à prefeitura – Marta, Kassab e Alckmin. A edição mais recente da revista traz, justamente, o atual prefeito Gilberto Kassab na capa. Só isso já bastaria para anular a decisão do juiz, que argumentou ser necessária a preservação da “igualdade de oportunidades entre pré-candidatos”. (Um detalhe: ainda não foi iniciado o trâmite de registro dos candidatos na Justiça Eleitoral.)

Mas calma aí: quer dizer que a Vejinha estava fazendo campanha para a Marta Suplicy? Justo a Vejinha? Isso é como dizer que a CartaCapital apóia a volta de FHC ao poder, que a Caros Amigos está dando uma mãozinha para o Serra se eleger ou então que o Juca Kfouri está fazendo campanha para a permanência de Ricardo Teixeira na presidência da CBF.

A decisão do juiz Francisco Carlos Shintate é absurda. Não apenas porque cerceia a liberdade de imprensa e o direito das pessoas de conhecer melhor aqueles que se oferecem para representá-lo no Poder Executivo. É absurda porque não é do feitio da Veja (nem da Vejinha) apoiar Marta Suplicy. É só dar uma olhada nos arquivos da revista.

A revista mensal Serafina, que está em sua terceira edição e é distribuida gratuitamente com a Folha de S. Paulo do primeiro domingo de cada mês, agora também pode ser comprada nas bancas, por R$ 4,00. É o mesmo preço da Folha de domingo. Serafina oferece a alguns jornalistas bam-bam-bans da Folha a oportunidade de escrever textos com linguagem de revista - e fica a impressão de que está mais preocupada em atender a essa vontade dos jornalistas do que em interessar o leitor.

Se você não assina a Folha e quer conhecer a revista, aguarde o primeiro domingo de julho. Vai pagar os mesmos 4 reais que são cobrados por Serafina nas bancas. Caso não goste da revista (e muita gente que já leu, detestou!), pelo menos vai ter muito mais coisa pra ler.

A Folha de S.Paulo lançou no mês passado uma revista mensal que sairá aos domingos, a Serafina. Pelo nome, no primeiro momento, pode-se pensar que ela é uma publicação a la piauí, com perfis e grandes reportagens – e aqui pode-se lembrar da Grandes Reportagens d’O Estado de S. Paulo, cuja primeira edição, sobre a Amazônia, foi lançada em dezembro do ano passado e as seguintes ainda não circularam. Porém, ao folhear a Serafina, percebe-se que seu caminho ruma mais para o lado de, por exemplo, uma revista Caras. [Leia aqui a matéria publicada no site da Faculdade Cásper Líbero.]

A mais nova criatura da Folha nasceu de pais antagônicos, porém apaixonados: mamãe Caras e papai piauí. Foi batizada de Serafina, uma ótima sacada, pensei, pois remete, ao mesmo tempo, a um apelo popular e a um destino de luxo. Errei. Não deveria ter tentado bancar o inteligente. Na capa, o título vem escrito como “serafina”, e não como fazem os cartorários imbecis deste país. Foi-se, então, o apelo popular.

A Folha já publicava uma revista dominical. Só que parecidinha com todas as demais, o que deve ter começado a soar como afronta para os habitantes daquele bunker da criatividade. [Leia aqui o texto de Rui Daher, publicado hoje no Observatório da Imprensa.]

A editora Abril aprimorou o site ExperimenteAbril.com, em que os internautas podem folhear todas as revistas em formato digital gratuitamente. Navegação fácil, muitos títulos a disposição, mas não se engane: as edições disponíveis para o leitor fazer seu test-drive são ultrapassadas. Você fica com a sensação de que está folheando as revistas do seu dentista, só que pelo computador.

CUIDADO! Na página principal do site, é solicitado o nome e o e-mail do usuário e as revistas que ele pretende experimentar. Embora não seja preciso preencher fichas e mais fichas de cadastro, o site joga sujo ao colocar em letras miúdas a seguinte frase: “quero receber informação do Grupo Abril e de empresas parceiras”. O internauta é obrigado a desativar essa função caso não queira receber ainda mais entulho na caixa de e-mails.

Mudança na última página da revista Carta Capital. A tradicional coluna Retratos Capitais, que trazia celebridades retratadas em fotos de página inteira, dá espaço a uma seção bastante divertida, a Blogs do Além. Assinada pelo publicitário Vitor Knijnik, a coluna imagina como seriam os blogs de personalidades do passado. Na estréia, o hipotético blog de D. Pedro I, o Blog do Pe. Os leitores podem interagir no blog postando comentários e respondendo a uma instigante enquete: afinal, Independência ou Morte?

 

Meu nome é Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, mas pode me chamar só de Pe. [Clique aqui para visitar o Blog do Pe >>]

Os números acima representam a queda do número de páginas reservadas à publicidade nas revistas semanais americanas. É claro que os efeitos da crise econômica norte-americana não são desprezíveis, mas o mau momento pelo qual essas revistas atravessam já vem de longa data.

Segundo o The New York Times, as revistas semanais enfrentam pelo menos três dificuldades: a proliferação de veículos que informam em-cima-da-hora; a migração de leitores e de anunciantes para a internet; e o crescimento das revistas britânicas The Economist e The Week no mercado norte-americano.

 

A semana começou com a notícia de que a revista U.S. News and World Report, cuja tiragem é inferior apenas à das revistas Time e Newsweek, deixará de ser uma publicação semanal em 2009, passando a ser quinzenal. A U.S. News deve dar mais ênfase a seus diferenciais: a publicação de rankings e a prestação de serviços à população (reportagens sobre saúde, educação, finanças pessoais, etc.). Os rankings de hospitais e de faculdades que a U.S. News produz anualmente são referências para os americanos.

A transformação [da U.S. News and World Report em publicação quinzenal] evidencia a batalha das revistas semanais de notícias em encontrar um nicho, um propósito, algo que contenha a queda do número de leitores e da receita dessas revistas. A U.S. News acredita que os anunciantes se contentam com a idéia de que suas propagandas continuam nas bancas por mais uma semana.

“A questão é: você pode fazer menos coisas, mas melhores?”, disse Brian Kelly, editor executivo da U.S. News. “Nós acreditamos que a combinação entre análises de notícias e prestação de serviços ao consumidor é o nosso diferencial.” [Leia a íntegra da reportagem do The New Tork Times clicando aqui >>]

A revista Advertising Age, que também noticiou a reformulação editorial da U.S. News, nota que a reação das revistas semanais é o alto investimento em suas páginas na internet, acreditando no potencial de crescimento da audiência nessa nova plataforma.

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